Rodinei, personagem de Jayme Matarazzo em Cheias de Charme, antiga novela da Globo, é um grafiteiro muito talentoso que trabalha em uma mercearia em uma condomínio de luxo, e participa de um grupo de grafiteiros chamado Borralho Crew.
Seu personagem começa a ter mais destaque na novela a partir do momento em que encontra um de seus grafites impressos em um convite da Galehip, galeria de Sonia Sarmento, antagonista na novela. Enraivecido por sua arte ser usada para fins consumistas, resolve pedir explicações para a dona no atelie, porém é retirado da galeria à força. No tumulto, um dos seguranças perde o molho de chaves, dando ao artista a oportunidade de invadir o lugar durante a noite, onde grafita toda a loja em forma de protesto, mas tem efeito oposto, promovendo a galeria. Mais adiante, com a promoção de sua imagem por parte de uma critica de arte famosa que viu seu trabalho na Galehip, Rodinei acaba indo para a Alemanha e fica rico.
O personagem de Rodinei utilizava sua arte como forma de protesto, ativismo, e se recusava a ganhar dinheiro com ela, porém com a influência de Liara, sua namorada na novela e gerente da Galehip, ele decide utilizar sua fama e o dinheiro que passa a ganhar para alavancar seus protestos.
A história do personagem me faz pensar sobre como certas formas de arte, assim como o ativismo, são criminalizadas e desvalorizadas, mas quando utilizadas por classes mais abastadas, nomes importantes, são vistas como alta moda, riquezas. Vestir roupas rasgadas no Lixão é sinal de extrema pobreza, em bairros de classe alta é moda. Mesmo quando a arte de rua, a arte desmerecida passa a ser reconhecida e vira moda, ela não consegue estender seu valor até suas raízes. A arte que milita, que protesta é mal vista, pois atrapalha e intervém, pois incomoda, até que vire moda.

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